Marketing – além da ferramenta, a inovação

Você sabia que a joaninha (aquele bichinho fofinho) é uma das melhores “armas” naturais para acabar com os pulgões? Isso porque as joaninhas são os maiores predadores dessa praga que invade muitas plantações. Porém, não vá achando que as joaninhas podem ajudar a eliminar os pulgões das plantas aí da sua varanda. Elas preferem um ambiente maior e mais baixo. A varanda em si não proporciona o ecossistema ideal para que a “mágica” da natureza aconteça. E o que isso tem a ver com o marketing? Tudo!

Porque a joaninha que outra marca utilizou pode não acabar com os pulgões aí de sua empresa. Traduzindo: não é uma ferramenta sozinha que vai fazer o marketing dar resultados. Quando for pensar em estratégias de marketing, pense, primeiro, na sua realidade para que, assim, possa encontrar o ecossistema ideal onde determinadas ferramentas realmente irão funcionar.

Antes da ferramenta, o pensamento

Foi por acreditar que o Marketing vai além de uma ferramenta, de uma área ou de uma ação isolada, que desenvolvi esse conceito de “Marketing Thinking”. Uma concepção de Marketing que não se baseia em ferramentas como o fim para seus problemas.

Quem aqui não conhece essa cena: na reunião de Marketing da empresa, o gestor fala que precisam “entrar para esse tal de Facebook e ganhar muitos likes”. O motivo: “todo mundo está fazendo isso, oras!”. Pois é, fazer algo só porque todo mundo está fazendo é a pior motivação que alguém pode ter (para fazer qualquer coisa). Entrar no Facebook só para estar lá ou só porque “todo mundo entrou”, não vai trazer nenhum resultado e, fazer isso de forma despreparada, pode prejudicar – e muito – a imagem de sua marca.

Tomar uma ação sem pensar, pode ser o fim da sua empresa. É como trilhar um caminho sem saber onde você vai chegar, apenas porque os outros foram por ali. Nesse sentido, praticar o Marketing Thinking faz com que o tempo todo as ações e estratégias sejam pensadas e alinhadas aos objetivos da empresa.

Atualmente existem diversas ferramentas para potencializar o resultado de Marketing, tais como SEO, Adwords, Inbound e Outbound Marketing, Inboundsales, Rede Sociais, E-mail Marketing, Content Marketing entre outras. Encontro milhares de blogs falando sobre essas ferramentas que estão fazendo a diferença no dia a dia das empresas. Mas os resultados dessas ferramentas jamais aconteceriam se todo o trabalho não envolvesse uma minuciosa análise do produto ou serviço a ser vendido, ou um estudo das necessidades e da realidade das empresas que as utilizaram. Ou seja, mais do que a ferramenta em si, a forma e o ambiente em que essa ferramenta foi utilizada é que vai fazer a real diferença para as empresas.

Além disso: não há ferramenta que faça vender um produto sem propósito.

Se o seu produto não irá ajudar de alguma forma a vida das pessoas, me desculpe, mas ele não irá vender. No Marketing, é preciso “deixar claro que a ideia central é melhorar a vida dos consumidores, não apenas vender algo para eles. Marketing é muito mais do que saber usar técnicas de pesquisa e de promoção” – já diria o mestre Kotler.

Marketing Thinking e Inovação

O conceito de Marketing Thinking é algo que tenta explicar a forma como eu procuro trabalhar o Marketing nas empresas. Com muita análise, pesquisas e testes. Sim, porque, para mim, Marketing precisa estar baseado em teste, em erros e acertos – tal como uma ciência. Acredito nisso porque não há como aplicar um modelo fixo no ambiente que vivemos hoje: com um mercado que muda constantemente, com tecnologias que não param de evoluir e com os consumidores também sempre em transformação.

Por isso, o Marketing também precisa estar permanentemente em desenvolvimento. Eu costumo dizer aos clientes que se for preciso mudar, eles devem mudar. E se não for preciso, eles devem mudar também. Isso tem a ver não somente com o fato de se manter no mercado, mas também, e principalmente, com inovação. Não basta ter boas ideias, nem mesmo ser um bom empreendedor, é preciso saber inovar, e sempre. E quem não arrisca, quem não muda, jamais conseguirá inovar e se destacar.

Antigamente inovar era um diferencial, mas hoje tornou-se um fator competitivo e de sobrevivência. Por isso, quero disseminar a ideia de Marketing Thinking para empreendedores que possuem grandes ideias, mas que estão se perdendo no meio de tantos produtos e ferramentas nesse imenso mercado. As coisas boas precisam ser vistas, mas para isso, é preciso saber como aparecer e alcançar o público desejado.

Teste e evolução

Você já parou para analisar que, assim como a inovação, o pensamento também é algo infinito? Ambos formam um ciclo em constante evolução.  No modelo conceitual de Marketing Thinking, a gestão também funciona nessa lógica, como um aprendizado eterno, onde cada ação depende do seu tempo, local e situação. Uma estratégia ou tática poderá funcionar hoje, e não ter efetividade amanhã. Por isso, ao invés do Marketing Tradicional, tenho uma abordagem baseada no Marketing Thinking, (que lembra um pouco o conceito de Design Thinking) num modelo infinito de análise e ações:

Marketing Gráfico

Tudo começa com a definição dos objetivos, depois passa para a escolha das estratégias (e, só então, a seleção das ferramentas). Após a realização de testes das estratégias, é feito uma análise dos resultados. A partir daí, é possível definir se o objetivo foi atingido e, de acordo com a resposta do público, avaliar as necessidades de mudanças. Nesse momento, pode-se mudar, inclusive, o objetivo inicial. Afinal, como disse antes, tudo está em constante mudança, principalmente os problemas que seus consumidores precisam resolver.

Essa abordagem lembra muito o conceito de MVP (Minimum Viable Product) uma espécie de teste para ter uma primeira ideia sobre a viabilidade de um projeto e se há espaço no mercado, antes que seja investido todo o capital. Essa análise é geralmente realizada em Startups, com novos produtos e poucos recursos. Porém, acredito que isso deveria ser utilizado em todos os momentos e em todas as empresas. Como comentei antes, o Marketing efetivo é baseado em testes. Não existe certo e errado de forma universal. O que funciona para um, não funciona para outro. O “certo” é aquilo que funciona para alcançar o seu objetivo no momento e na hora certa. Alguns minutos depois, tudo pode mudar.

Sei que muita gente pode achar isso loucura, afinal, percebo que há falta de flexibilidade nas empresas, principalmente quando se fala em processos já estabelecidos. Porém, se o gestor de Marketing não tiver liberdade de tomar decisões rápidas e fazer testes, este tipo de trabalho fica muito engessado, e o Marketing não desenvolve um trabalho eficiente – ou então acaba gastando muito mais do que poderia para chegar ao mesmo resultado. Para se ter um bom trabalho nessa área, além de profissionais competentes, é preciso liberdade. Assim como a joaninha precisa de terrenos baixos e amplos, o ecossistema ideal para o Marketing funcionar é onde haja liberdade para pensar, criar, errar e acertar em busca de inovações que realmente façam diferença na vida das pessoas.  

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